quarta-feira, 30 de agosto de 2017

A sensibilidade da casa

    O despertador toca e logo se escuta o ruído matinal que o acompanha, os passarinhos
cantam saudando o novo dia, e as árvores farfalham sob a janela do quarto comunicando a
chegada do sol, estirado na cama macia rodeado por travesseiros e cobertas, abro as cortinas
e deixo a luz entrar, gradualmente, ela abraça o espaço inteiro com uma luminosidade morna
e acolhedora. Juntamente com o ingresso do sol, as cortinas revelam um céu permeado por
nuvens semelhantes aos travesseiros que me envolvem, trazendo uma tranquilidade que
atinge o espírito. Ao levantar da cama, os meus pés tocam no chão de madeira que fora
aquecido pelos raios solares que o cobrem, os mesmos que beijam meu rosto antes escondido
nas sombras e que agora cumprimenta esse novo amanhecer, em seguida, abro a janela e a
brisa da manhã transpassa meu corpo, agitando o quarto e trazendo consigo o perfume
refrescante do campo. Com um pesar sonolento, entro no banheiro gelado com arrepios nos
pés que se espalham pelo resto do corpo, em um gesto rápido, ligo o chuveiro e a água
ardente aquece o ambiente em uma neblina reconfortante que embaça as altas claraboias
revelando um céu turvo e opaco, em seguida, ao terminar o banho, o calor do sol termina de
secar o meu corpo envolto na toalha umedecida.
    As grandes portas do quarto dão acesso a um amplo espaço que reúne todas as
atividades que acontecem na casa, os moveis de cores vibrantes organizam-se de forma
convidativa e clamam pela ocupação do espaço em sua volta. Ligo o rádio e logo preparo um
café tão quente e tão fresco como os raios de sol que entram pelas grandes janelas da casa,
pelas quais passa a mesma brisa que antes agitou o quarto e que agora acorda as plantas
floridas que timidamente se estremecem ao redor da sala que agora é impregnada pelo aroma
da bebida negra. Com a xícara na mão, sento-me na poltrona macia que abraça meu corpo
como um amante mudo e carinhoso e me perco na vista que a manha expõe pela extensa
janela da sala. Após escapar da paisagem, antes aprisionado por sua beleza, volto-me para os
materiais de arte que se espalham pela mesa suja de tinta, manchas de grafite e marcas
redondas das incontáveis xícaras de café, assim, inicio o trabalho diário entre goles quentes,
rostos franzidos e momentos de distração.
    O fim das tarefas traz consigo o entardecer, assim como nuvens acinzentadas que
recobrem o céu antes azulado, o sopro da tormenta causa uma agitação como se as cortinas e
as plantas comentassem sua chegada repentina. Logo, as gotas começam a respingar na
varanda e nas janelas, trazendo o murmúrio reconfortante da chuva, as cortinas de água
escorrem pelos amplos vidros da casa distorcendo a paisagem antes ensolarada, sentado, olho
a chuva cair com reconforto por estar seguro dentre os braços de minha fiel poltrona, desse
modo, persisto em observar a ação da chuva na paisagem que agora se mostra bem diferente
daquela experimentada pela manha, tanto aquela fora da casa como a esta dentro dela, as
sombras criam uma nova perspectiva do espaço que transpassa um sentimento mais sóbrio e
sonolento porem, aconchegante. 
    Assim sendo, o chão de madeira mantém o resquício do calor
do sol que se fora, mantendo um ambiente agradável dentro da casa, como efeito da
tempestade, a meia luz das luminárias é interrompida por flashes de luz que revelam as
intensas cores dos moveis, agora amenizadas pelas sombras das nuvens pesadas. Por fim, o dia
termina com uma fina garoa na paisagem escurecida e um agradável cochilo no sofá macio
composto pelas diversas texturas das mantas que o cobrem, na simpática mesa de centro se
apoiam os óculos embaçados, as xícaras de café já frio e o celular amigo, iluminados pelo
notebook ainda acesso caído sobre o tapete aveludado e pelas luminárias amareladas no
ambiente semiescuro. 






domingo, 9 de julho de 2017

Evento cultural: NORMA

A ópera Norma retrata um triângulo amoroso entre as sacerdotisas druidas Norma e Adalgisa, e o pró-cônsul romano Pollione. A trama se inspira em uma sociedade dividida entre os romanos, que têm riqueza e poder, e os druidas, desprovidos de tais propriedades e que sofrem com as decisões individuais e a corrupção.
Sílvio Viegas assina a direção musical e regência, valorizando a encantadora melodia da composição de Vincenzo Bellini, um dos expoentes do bel canto, que tem entre os pontos altos a ária de grande riqueza Casta diva. Junto ao Coral Lírico e à Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, participam os solistas Eiko Senda(Norma), Fernando Portari (Pollione), Denise de Freitas (Adalgisa), Sávio Sperandio (Oroveso), Aline Lobão (Clotilde) e Lucas Ellera (Flávio). Completam a equipe a arquiteta Jô Vasconcellos e Míriam Menezes, que assinam a cenografia; Fábio Retti a iluminação, Sayonara Lopes os figurinos, e Lázaro Lambertucci a caracterização.
Essa experiência única ocorreu no dia 27 de abril , e proporcionou uma nova reflexão sobre a experiência real e a experiência virtual, assim foi possível observar o contraste entre a performance ao vivo e as limitações das televisões, evidenciando o maior impacto  de uma presença real dos atores, e do eco de suas vozes que correm pelo teatro de forma impactante e emocionante. Além disso, em um mundo destruído pelos humanos, a opera retrata a complexidade das relações sociais, as quais foram o único resquício da humanidade após a destruição do mundo. Tal complexidade é bem expressa na personagem Norma, que evidencia uma grande profundidade psicológica no percorrer da história. Outro ponto de destaque é o empoderamento de marcantes personagens femininas como Norma e Adalgisa.


sábado, 8 de julho de 2017

Caderno técnico do objeto interativo














https://drive.google.com/drive/u/0/search?q=type:pdf

Video do objeto interativo


Vídeo da Intervenção


A Proposta de intervenção

    Em nossa intervenção em diamantina escolhemos a Praça da Rua do Bonfim a qual, de início, nos pareceu um lugar atrativo e amplo capaz de receber uma intervenção que a modificasse conferindo-lhe um caráter lúdico. Nesse seguimento, buscamos com nossa intervenção a atração de pessoas ao local, além de entreter os seus usuários por meio de uma intervenção interativa que instigasse a interação social. Assim, o projeto consistia em luzes em baixo de bancos que acendessem ao sentar-se nos bancos formando combinações variadas conforme sentasse-se em bancos diferentes, além de um padrão de luzes nas escadas da praça que se modificasse junto com os bancos.

Rede de implicações do local escolhido em diamantina

Roteiro formulado para entrevistas

  A fim de estabelecer um estudo mais aprofundado sobre a “Praça do Bonfim”, Diamantina, entrevistamos alguns frequentadores. Nesse contexto, nós queríamos estabelecer um diálogo com eles para não induzir respostas e conseguir, consequentemente, novas percepções do espaço.
  Mesmo assim, tentamos seguir este roteiro com perguntas básicas para termos um direcionamento:
  Nome: 
  Idade: 
  Como é o seu uso da praça?
  No período em que você fica aqui, como é a movimentação da praça (perguntando também se há variação nos frequentadores durante os períodos do dia)?
  O que torna atrativa essa praça?

  Há alguma coisa que prejudica essa praça (ponto negativo)?

VÍDEO DA PERFORMANCE


Evento cultural - Festival do Japão

No dia 8 de abril visitei o XX Festival de Cultura Japonesa realizado pela Associação Mineira de Cultura Nipo-Brasileira a qual busca manter viva a cultura japonesa dentre os descendentes de japoneses e não descendentes interessados na rica cultura do país. Nesse contexto, o festival apresentou diversos aspectos da cultura milenar, tanto em suas comidas como em apresentações típicas de diversas artes nipônicas como a tradicional dança do odori e o karaokê tão presente na vida dos japoneses, dentre as apresentações, a arte do Taiko foi o que chamou mais minha atenção, na verdade, foi o que me levou até o festival, visto que costumava tocar esse instrumento musical. O Taiko consiste em uma arte musical milenar japonesa que tem como base tambores de diversos tamanhos, tocados geralmente em grupos, o taiko é muito comum nos festivais do próprio Japão o que evidencia a manutenção de costumes tão tradicionais nesse festival realizado em Belo Horizonte.

É interessante notar como a Associação, em si, consiste em um local de concentração de costumes japoneses e de descendentes em meio a uma cidade tão cosmopolita como Belo Horizonte. Nesse contexto, cria-se um espaço em que um grupo sente-se parte de algo maior e pode até mesmo excluir diferentes, como consequência há a manutenção de costumes tradicionais em meio a uma sociedade tão múltipla contribuindo para afirmar conceitos como o de Magnani que cita em seu livro “De perto e de dentro, notas para uma etnografia urbana” o conceito de “pedaço”em que pessoas que se identificam entre si passam a associar-se a um espaço especifico, constituindo-se em um pedaço, o que é exatamente o que ocorre na questão da pela Associação Mineira de Cultura Nipo-Brasileira que constitui-se um espaço que aglutina pessoas que se identificam com a cultura japonesa exemplificando um padrão social analisado por Magnani.




















Taiko - tambores japoneses










Dança do Odori

Evento cultural - ENTRE NÓS: A FIGURA HUMANA NO ACERVO DO MASP.

No dia 19 de maio, ocorria o evento "Entre nós: a figura humana no acervo do Masp", no Centro Cultural do Banco do Brasil, em Belo Horizonte. A exposição contava com obras do museu paulistano Masp (Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand) e buscava retratar a representação da figura humana ao longo da história, nesse contexto, o acervo contava com diversas representações tanto esculturais como pinturas de diverso estilos. É interessante notar como alguns padrões se repetem ao longo de uma época e como aos estilos de cada época são variados, alem disso é possível observar o desenvolvimento das técnicas até  atingir as fotografias do mundo contemporâneo.









evento cultural: Los carpinteros

    O grupo cubano Los Carpinteros, fundado em 1992,  já havia ganhado destaque internacional muito antes de cuba experimentar uma abertura política maior e ganhar visibilidade no mundo. O trio, que já expôs no Museu de Arte Moderna (MoMA), e em diversos outros países, chega a Belo Horizonte, depois de passar por São Paulo e Brasília, com a mostra “Objeto Vital: Los Carpinteros”.O trabalho em arte contemporânea, desenvolvido pelos cubanos, lembra, a um olhar descuidado, o ofício da carpintaria, relacionado ao contexto e trajetória traçada pelos artistas relacionada a producao artistica na madeira, em seu inicio. Nesse contexto, os cubanos Dagoberto Rodríguez, Marco Castillho e Alexandre Jesús Arrechea Zambrano, do coletivo Los Carpinteros, por meio da utilização criativa da arquitetura, da escultura e do design os artistas questionam a utilidade e exploram o choque entre função e objeto com uma forte crítica e apelo social, assim em sua exposição é possível observar obras que revelam profundas características sociais do mundo contemporâneo.
























































    Interessante notar a crítica entre público e privado, marcada pelo contraste das gavetas que possuem uma significância privada, e o prédio o qual perde muito de sua função social quando passa a ser privado e deixa de incluir a multiplicidade da sociedade.






    Apesar de serem artistas cubanos é possível observar a crítica à politica brasileira representada entre as escamas de uma cobra. Nessa linha destaca-se o padrão politico da America Latina, em geral, que representada uma administração voltada a certos grupos sociais específicos marginalizando grande parte da população. 

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Apropriação do espaço com o corpo



     A relação entre as pessoas e o espaço a sua volta se da de diversas maneiras, constituindo-se em uma interação básica da existência humana, nesse contexto, foram discutidas certas maneiras de apropriação do espaço  em sala.

    Parkuor consiste em uma forma de apropriação do espaço que subverte a logica das construções no ambiente urbano por meio de seu uso não convencional como forma de transgressão a ordem e associada a adrenalina que a atividade pode proporcionar, por meio do deslocamento pela cidade até mesmo por cima de prédios e pulando muros, ignorando, muitas vezes, as delimitações de publico e privado.


    Resultado de imagem para parkour
 
Resultado de imagem para flâneur    A deriva é uma mode de apropriação do espaço que esta associado a profunda experimentação do espaço por meio do caminhar sem rumo e deixando-se levar pelos estímulos do ambiente a sua volta, Isso tudo leva a uma experiencia que modifica as relações entre individuo e espaço de forma mais profundo pois leva o usuários a uma nova reflexão do urbano. Já o Flaneur consiste no caminhar pela cidade sem destino, atentando-se as características urbanas.




 



  O Flash Mob consiste em uma experimentação do espaço realizada em grupo por meio de ações sincronizadas em um rápido momento em um espaço publico movimentado, é marcado por seu caráter inesperado.




 






 Os rolezinhos são organizações de um grande numero de pessoas, geralmente jovens, que marcam encontros em locais especificas como shoppings centros. essa pratica possui uma critica velada centrada na questão de espaço publico e privado, visto que esses jovens são muitas vezes impedidos de entrar nesses shoppings por preconceito que teoricamente serias espaços públicos, alem disso ha o destaque da escassez  de ambientes inteiramente públicos desligados da ordem comercial.



    O skateboarding surgiu nos Estados Unidos e é uma pratica que, assim como o parkour, faz uso do espaço de forma diferenciada subvertendo o espaço e conferindo-lhe novos usos realizando manobras e percorrendo caminhos pelas irregularidades das ruas.

terça-feira, 23 de maio de 2017

Intervenção na cena do filme Matrix

    Em busca de familiarizar-se com as ferramentas do Premiere, InDesign e Photoshop pela sua exploração foi proposta em sala de aula a edição de um vídeo baseado em uma cena de Matrix. Nessa linha os alunos criaram Storyboards e baseando-se nessa pré-visualização foi criado um vídeo novo no Premiere.